Endocrinologia Pediátrica

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Dra. Adriana Beletato dos Santos Balancieri

Matéria Publicada em 18/10/2009 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

Obesidade Infantil: por que se preocupar?

No dia 11 de outubro é comemorado o Dia Internacional de Combate a Obesidade, e isso mostra a importância do tema. A obesidade infantil é uma das principais doenças do mundo moderno e de maior crescimento do século XXI. Com a correria do dia-a-dia, muitos pais não tem mais tempo para preparar o alimento dos filhos e de almoçarem ao redor da mesa, e associada a estas situações, temos ainda a redução das brincadeiras ao ar livre. Tudo isso tem contribuído para que tantas crianças estejam obesas. Em Maringá, aproximadamente 30% das crianças e adolescentes estão acima do peso. Existem estatísticas mostrando que se um adolescente é obeso, ele tem mais de 70 % de chances de se tornar um adulto obeso se nada for feito.

Sabendo que na maioria das vezes, a causa da obesidade é um desequilíbrio energético, onde acontece um maior consumo de alimentos calóricos e menor quantidade de atividade física, temos de agir rapidamente para melhorar esta situação. A prevenção é sempre a melhor opção. A seguir é apresentada a tabela da Organização Mundial de Saúde (OMS) com as estratégias de prevenção a obesidade.

1. Promoção do aleitamento materno.

2. Evitar o uso adicional de açúcar e amido (farinhas) nas mamadeiras.

3. Instruir as mães a aceitar a habilidade das crianças em controlar a sua própria ingestão calórica. “Não forçar a comer tudo!”

4 Promover o consumo de frutas e verduras.

5. Promover a prática de atividade física.

6. Limitar o tempo de televisão

7. Restringir o consumo de alimentos com muitas calorias e pobres em micronutrientes (ex: bolachas e salgadinhos)

8. Restringir o uso de bebidas açucaradas como refrigerantes e sucos artificiais.

Entretanto, se a criança já está com sobrepeso ou obesidade, ela necessita de um acompanhamento médico. É importante salientar, que o excesso de peso não é só estético. Ele pode gerar isolamento social na escola levando inclusive a depressão, visto que muitas vezes a criança recebe apelidos desagradáveis tais como “gordo”, “baleia”, etc. Além disso, a criança pode apresentar problemas ósseos, puberdade precoce e ainda, hipertensão, colesterol alto e diabetes tipo 2, doenças que eram somente dos adultos. Estas doenças iniciam-se na infância, e se avaliadas e tratadas corretamente podem ser revertidas evitando até uma morte precoce.

Vale lembrar que as causas da obesidade não são apenas alimentares, elas podem também ocorrer devido a outras doenças hormonais, como por exemplo, o Hipotireoidismo e Cushing. No entanto, somente a avaliação médica especializada pode dar o diagnóstico preciso e o melhor tratamento a ser seguido.

Drª Adriana Beletato S. Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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Matéria Publicada em 20/09/2009 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

Alterações menstruais na adolescência

As alterações menstruais são freqüentes entre as adolescentes, gerando grande preocupação entre as meninas e os seus pais. No Brasil, a idade média para a primeira menstruação, denominada menarca, ocorre aos 12 anos. A menarca é considerada normal quando ocorre entre os 9 anos e 6 meses até os 16 anos, sendo puberdade precoce antes deste período e puberdade atrasada após este período.

A menstruação geralmente está associada ao final da puberdade, mas isso não significa que o eixo hormonal hipotálamo hipófise gonadal esteja completamente maduro. O comum é justamente o contrário, ou seja, que o eixo hormonal ainda funcione de um modo irregular e assim os ciclos menstruais sejam desregulados, podendo menstruar duas vezes no mês ou mesmo pular alguns meses.

Após a menarca, os ciclos menstruais durante os dois ou três primeiros anos são frequentemente anovulatórios, isto é, sem ovulação, exatamente porque o eixo hormonal está imaturo, sendo esta a principal causa da irregularidade menstrual. Esta é uma causa benigna denominada sangramento uterino disfuncional, mas existem outras causas hormonais que merecem tratamento e que podem ser preocupantes tais como: síndrome de ovários policísticos, alterações da tireóide (hipo ou hipertireoidismo), distúrbios da prolactina, anorexia nervosa entre outras doenças. Assim, é sempre importante procurar uma avaliação médica para confirmar se estas alterações menstruais são próprias da puberdade ou se são outras doenças associadas.

Mesmo na síndrome uterina disfuncional, algumas meninas podem apresentar sangramento excessivo ou com duração prolongada, chegando até à anemias intensas. Nestes casos também é indicado medicamentos hormonais para regularizar o ciclo, geralmente utilizados entre 6 meses a 1 ano.

Enfim, é sempre importante acompanhar estes casos com uma avaliação médica periódica, lembrando sempre que a adolescente deve anotar em uma caderneta os dias em que está menstruada, pois desta forma é possível fazer um controle adequado e diagnosticar outras causas de sangramento anormal caso o problema persista.

Drª Adriana Beletato S. Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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Matéria Publicada em 16/08/2009 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

Vamos combater o colesterol infantil?

Dia 14 de agosto é o dia internacional de combate ao colesterol. Antigamente, pensava-se que o aumento do colesterol e triglicerídeos era um problema apenas de adultos e idosos. Atualmente este é um motivo de preocupação também nas crianças e nos adolescentes.

A primeira causa de morte em todo o mundo são as doenças cardiovasculares, tais como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), que ocorrem cada vez mais cedo e que estão intimamente relacionadas ao aumento desses lipídeos (gorduras).

Especialmente nas últimas décadas, com as mudanças nos hábitos alimentares, com o grande consumo desde a infância de alimentos industrializados que são repletos de gorduras trans e saturadas, e associado a redução da atividade física, culminou num grande aumento dos casos de dislipidemia (alteração dos lipídeos) nas crianças e adolescentes.

O acúmulo desses lipídeos nos vasos sanguíneos formam as placas de ateroma dificultando a passagem do sangue. Quando essas placas se rompem, pode ocorrer obstrução do vaso sanguíneo e assim levar ao infarto ou AVC. É importante saber que já é possível encontrar estas placas de gordura em crianças e adolescentes, mas que com o tratamento precoce, elas podem regredir.

Vale ressaltar também que as alterações de colesterol e triglicerídeos ocorrem mais em pessoas com sobrepeso ou obesidade, no entanto, existe também a dislipidemia familiar. Nestes casos, são crianças ou adolescentes magros, com colesterol e/ou triglicerídeos altos, geralmente, com outros casos na família. Essa alteração genética do colesterol é mais comum do que se pensa, afetando 1 a cada 500 indivíduos, sendo que muitos tem a doença e não sabem, pois nunca fizeram exames.

Tendo em vista o aumento crescente das dislipidemias, tanto de causa alimentar como genética, vale o alerta aos pais para que façam avaliações periódicas de seus filhos, visto que é um problema que se inicia na infância e que se tratado corretamente pode prevenir as complicações futuras.

Drª Adriana Beletato S. Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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Matéria Publicada em 19/07/2009 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

Alterações do Cálcio e Vitamina D na infância e adolescência

O cálcio é um elemento fundamental para o desenvolvimento da criança e do adolescente, pois exerce diversas funções metabólicas no organismo. Dentre as principais funções estão: participação da formação óssea, crescimento e ainda na ação de vários hormônios.

O metabolismo do cálcio por sua vez está ligado ao da vitamina D, que é formada em nossa pele através dos raios solares (raios ultravioleta). Esta vitamina D posteriormente é metabolizada no fígado e nos rins, através de enzimas, tornando-se ativa em nosso organismo e ajudando principalmente na mineralização óssea.

Mesmo sendo tão importante a maioria das crianças e dos adolescentes não consomem a quantidade necessária de cálcio, que é encontrado especialmente no leite e derivados (ex. queijos e iogurtes) e além disso, ficam pouco expostas ao sol. Esta ingesta insuficiente de cálcio e pouca exposição solar podem ocasionar várias doenças endocrinológicas, tais como: raquitismo, déficit do crescimento, baixa massa óssea na criança e osteoporose no adulto.

No caso de raquitismo, é possível classificar em quatro tipos distintos:

1. Nutricional – causado pela deficiência de vitamina D e/ou cálcio;

2. Hipofosfatêmico – doença genética ligada ao cromossono X, onde há perda de fósforo e que também pode comprometer o cálcio;

3. Dependente de vitamina D tipo I – falha na produção da vitamina D ativa;

4. Dependente de vitamina D tipo II – resistência a vitamina D ativa por alteração no receptor.

Dos tipos de raquitismo citados, vale ressaltar que no Brasil o tipo mais comum é o nutricional.

Outra alteração freqüente são distúrbios do crescimento ou dores ósseas em crianças que consomem pouco leite e derivados ou que consomem o leite de soja. Nessas crianças e adolescentes é necessário fazer suplementação com cálcio, especialmente nas que usam somente o leite de soja e derivados, pois estes produtos, em sua maioria, não contém cálcio.

Enfim, é na infância, e especialmente na adolescência, que formamos a massa óssea, onde ocorre o estirão do crescimento, sendo assim um período crítico para uma boa ingesta de cálcio. Desta forma é possível evitar doenças como as citadas acima e outras que podem ser prevenidas, por exemplo, a osteporose do adulto.

Drª Adriana Beletato S. Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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Matéria Publicada em 21/06/2009 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

Síndrome Metabólica na criança e no adolescente

A Síndrome Metabólica é o conjunto de alterações no organismo, que se inicia na infância e que aumentam os riscos para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes tipo 2.

A Obesidade e a Síndrome Metabólica estão aumentando progressivamente nas últimas três décadas, na população pediátrica do Brasil e do mundo. Não se tem números exatos desta síndrome no Brasil, mas os números variam de 10% a 30% conforme a região e a população estudada, sendo prevalente entre crianças e adolescentes com sobrepeso ou obesidade.

Diante disso, torna-se muito importante a prevenção da Síndrome, pois se conseguir detectar precocemente é possível reverter suas complicações.

Critérios para Síndrome Metabólica segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF):

1. Obesidade central, medida através da circunferência abdominal (conforme tabelas para idade);

2. Triglicerídeos: maior que 150mg/dl;

3. HDL Colesterol: menor que 40mg/dl (colesterol bom reduzido);

4. Hipertensão arterial: (conforme tabelas para cada idade);

5. Glicemia de jejum alterada: maior que 100mg/dl.

Para fechar o diagnóstico da Síndrome Metabólica é necessário obesidade central, associada a outros dois critérios acima.

Já na vida adulta, a Síndrome Metabólica está relacionada às principais causas de morte do mundo, tais como diabetes, dislipidemias (colesterol e triglicerídeos elevados), doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral – AVC). Todas essas doenças podem ser prevenidas, se já na infância iniciar com uma alimentação equilibrada, com a prática regular de atividades físicas e com as consultas médicas periódicas.

Segue abaixo os sinais de alerta para que os próprios pais possam detectar aquelas crianças e adolescentes que estão com maior risco para a Síndrome Metabólica.

1. Mancha escura no pescoço, axilas ou virilha (Acantose nigricans): sinal do pré-diabetes;

2. Obesidade abdominal (barriguinha sobre a calça);

3. Ganho excessivo de peso no último ano;

4. Parentes de primeiro grau (pais, irmãos ou avós) com infarto ou AVC antes dos 55 anos em homens ou 60 anos em mulheres;

5. Obesidade, diabetes tipo 2, colesterol ou triglicerídeos alto na família.

Especialmente as crianças e os adolescentes que apresentam algum dos sinais acima devem procurar o endocrinologista pediátrico, especialista desta área, para realizar a avaliação completa e se necessário iniciar o tratamento precoce a fim de evitar complicações futuras.

Drª Adriana Beletato S. Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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Matéria Publicada em 17/05/2009 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

Hormônio de Crescimento: Quando usar?

OMSCrescimento

O hormônio de crescimento foi descoberto na década de sessenta, desde então, tem-se estudado muito o seu uso em várias doenças. Uma das principais indicações do uso do hormônio de crescimento ou GH (como é conhecido pela sigla em inglês Growth Hormone) é nos pacientes que apresentam a falta desse hormônio.

A deficiência do GH pode ser genética ou adquirida. Dentre as causas genéticas temos:

  • Alterações dos genes que produzem GH;
  • Síndromes genéticas como Turner, Noonan e Prader-Willi;
  • Deficiências familiares de GH;
  • Causas adquiridas;
  • Trauma de crânio (ex. acidentes de carro, quedas);
  • Infecções do Sistema Nervoso Central (ex. Meningites);
  • Tumores do Sistema Nervoso Central (ex. Craniofaringioma).

Existem outras situações em que o hormônio de crescimento parece ser insuficiente, apresentando certa resistência para agir como:

  • Deficiência parcial de GH;
  • Insuficiência Renal Crônica;
  • Crianças pequenas para idade gestacional, com peso no nascimento menor que 2,5 kg e/ou estatura menor que 46 cm, sem recuperação estatural até os 2 anos.

Nesses casos também está indicado o uso de GH, para o adequado crescimento e desenvolvimento. Essas seriam as situações clássicas do uso do GH, mas muitas outras têm sido investigadas. Uma delas é a Baixa Estatura Idiopática (sem causa definida), onde se afasta todas as possibilidades de doenças, mas a criança continua não crescendo bem, com estatura muito abaixo da média ou do padrão familiar. Nesse caso também está liberado o uso do GH, mas com resultados variáveis. Algumas crianças surpreendem com um excelente crescimento, já outras com menor ganho estatural. O tratamento, quando necessário, é realizado através de pequenas injeções diárias (tipo insulina), até completar o crescimento, com avaliações periódicas com um endocrinologista pediátrico.

Um dos maiores inconvenientes do tratamento com GH é o custo. No Brasil, o governo financia o tratamento para casos comprovados de deficiência do hormônio de crescimento na Síndrome de Turner (meninas baixas sem desenvolvimento sexual) e nos casos de Insuficiência Renal Crônica.

Drª Adriana Beletato S. Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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Matéria Publicada em 19/04/2009 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

Baixa Estatura – Por que se preocupar?

A baixa estatura pode ser a causa de grandes complexos para crianças, adolescentes e adultos. Sabemos que a cada geração as pessoas estão mais altas, entretanto, um grupo de indivíduos não segue por este caminho e permanece bem abaixo da média.

Toda criança que apresenta crescimento lento, parada no crescimento ou que permanece sendo uma das mais baixinhas da escola, deve ser criteriosamente avaliada. Nesta avaliação, inicialmente é realizada uma investigação detalhada através de perguntas sobre o peso e altura no nascimento da criança ou adolescente, doenças anteriores e altura dos outros integrantes da família. No exame físico, procuram-se detalhes que podem indicar doenças, além de verificar o peso, a velocidade de crescimento acompanhada nas curvas específicas e finalmente, exames que possam fechar a avaliação.

Existem muitas causas de baixa estatura, desde condições que não são consideradas patológicas, tais como baixa estatura familiar ou atraso constitucional do crescimento, mas também outras muito preocupantes, tais como doenças crônicas renais e hepáticas, doenças ósseas, genéticas e as causas hormonais (endócrinas). A seguir são apresentadas as principais doenças endocrinológicas que causam baixa estatura:

  • Doenças da hipófise (Panhipopituitarismo);
  • Deficiência do hormônio do crescimento (GH);
  • Crianças com baixo peso (menor 2,5kg) ou baixa estatura (46cm) no nascimento, sem recuperação após os 2 anos;
  • Tumores do sistema nervoso central com deficiência do GH;
  • Síndromes genéticas tais como Turner, Noonan, Silver-Russel;
  • Doenças da tireóide (Hipotireoidimo);
  • Doenças da glândula supra-renal (Cushing).

Atualmente, existe tratamento para quase todas estas doenças, lembrando que quanto mais cedo for feito o diagnóstico, melhor será o resultado do tratamento. Um dos mais difundidos nos dias de hoje é o tratamento com hormônio de crescimento, com excelentes resultados, desde que a criança seja realmente deficiente.

Avaliar se seu filho ou filha possui baixa estatura é fundamental, pois assim é possível afastar as possibilidades de doenças ou diagnosticá-las e tratá-las corretamente. Procure seu endocrinologista pediátrico!

Drª Adriana Beletato S. Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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Matéria Publicada em 18/01/2009 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

O excesso de pêlos na criança pode ser uma doença?

A resposta é sim, pois são várias as causas da pilificação excessiva em crianças, variando de condições benignas até doenças mais graves.

O diagnóstico depende das áreas onde estão estes pelos, tais como axila, região pubiana, dorso, membros e face, bem como da idade da criança e dos exames laboratoriais.

É bom lembrar que quanto mais precoce o aparecimento de pelos, especialmente em menores de 8 anos, maior a chance de apresentar doenças como puberdade precoce ou mesmo tumores. Nestes casos, a criança deve ser avaliada por um endocrinologista pediátrico o mais cedo possível, pois são doenças que respondem bem ao tratamento, desde que realizados no tempo certo.

É interessante saber que no sul do Brasil, especialmente no estado do Paraná, se concentra o maior número de casos de Tumores de Supra-renal do mundo. Uma das primeiras manifestações clínicas deste tipo de tumor é o aparecimento de pêlos na região pubiana.

Outra causa do aumento de pêlos é a Hiperplasia Congênita de Supra-renal, onde há uma alteração genética levando a um hiperfuncionamento desta glândula. Nesta doença, a altura da criança é comprometida, pois há uma maturação óssea precoce, que posteriormente leva a baixa estatura. Muitas vezes, esta doença acomete mais membros da mesma família, mas que também tem tratamento.

Já nas adolescentes, o motivo comum do excesso de pêlos é a Síndrome de Ovários Policísticos. Nesta síndrome, geralmente há uma alteração dos ciclos menstruais, apresenta hiperandrogenismo (caracterizado por pele oleosa, acne e pelos excessivos) e na ultrassonografia há um aparecimento de diversos microcistos do ovário.

Enfim, estas foram algumas dentre as diversas causas que podem acometer as crianças e os adolescentes com excesso de pêlos. Todas estas situações merecem especial atenção pelos pais, que devem procurar um especialista para a realização do diagnóstico e o tratamento precoce.

Dra. Adriana Beletato dos Santos Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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Matéria Publicada em 21/12/2008 no Caderno Saúde do Jornal O Diário do Norte do Paraná

Doenças da Tireóide afetam crianças?

Sim. Muitas pessoas pensam que as doenças da tireóide afetam apenas adultos, mas estão enganadas. A tireóide é uma glândula, localizada na região anterior do pescoço e produz os hormônios conhecidos como T3 e T4, que são essenciais para a vida.

Quando a tireóide está funcionando pouco, dizemos que está com hipotireoidismo. Esta é a doença da tireóide mais comum entre as crianças. Os principais sintomas são: cansaço, sonolência, ganho de peso, queda de cabelo, pele seca e atraso do crescimento. Além disso, algumas crianças podem apresentar bócio (inchaço do pescoço), mas isso nem sempre acontece, podendo ser um sinal tardio.

É importante ressaltar que muitas crianças obesas ou que não estão crescendo bem, podem estar com hipotireoidismo, sendo imprescindível à avaliação da função tireoidiana.

Outra curiosidade é que os bebês podem nascer com alterações da tireóide, denominado hipotireoidismo congênito. Este diagnóstico é realizado com o auxílio do “Teste do Pezinho”, sendo muito importante sua detecção precoce, pois estes hormônios são fundamentais para o desenvolvimento do cérebro. Quando a criança não recebe o tratamento adequado, pode apresentar grandes dificuldades de aprendizado.

A segunda doença tireoidiana que mais acomete as crianças é o hipertireoidismo (produção excessiva de hormônios). Neste caso, é comum o aparecimento de bócio e os principais sintomas são: irritabilidade, alterações do humor, calor excessivo, suor nas mãos, coração acelerado, tremores e alterações nos olhos.

É bom lembrar que toda criança que apresenta um familiar de primeiro grau com alguma alteração da tireóide, tem maior chance de ter uma doença desta glândula, e necessita avaliação periódica com o endocrinologista pediátrico.

Dra. Adriana Beletato dos Santos Balancieri
Endocrinologista Pediátrica

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